Alugo-me para rir!
"Don't take it too seriously. Hold on tightly, let go lightly." Peter Brook
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Há dias, lamentava-me do fado da anca larga, enquanto uma amiga consentia que sim (as mulheres sempre a ajudar), que há homens que não gostam de ancas largas. O nosso amigo A. ouviu-nos pacientemente até essa altura. Aí, respondeu secamente: Pois, e também há gays!
Querido A., Deus sabe que se não tivesses apenas 1,69m, eu me casava contigo naquele momento.
Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Comprei provavelmente dos últimos bilhetes para o espectáculo. Fi-lo por impulso, embora goste incondicionalmente de Abrunhosa. Do concerto de ontem à noite, guardo metade do tempo a conter as lágrimas e a outra metade a segurar-me na cadeira para não saltar e começar a dançar*. Foram 3 horas com aquele homem no palco (saído de mais 2 concertos em menos de 24 horas), com música, com poesia, com intervenção social e com muita garra. Este homem não é um homem, é um vício.
*Excepto em Rei do Bairro Alto, perdoem-me os mortos-vivos que me flanqueavam, assim como 99,5% do Coliseu que se manteve sentado. Eu dancei, cantei e fui feliz.
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
Sei que sou naïve em algumas matérias, um pouco tolinha até. Agora penso que talvez seja mesmo ignorante. Descobri há 2 ou 3 semanas que quando se falava em "fazer ponte" não significava que a Sexta ou a Segunda em que não se trabalhava não eram sinónimo de menos um dia de férias. Eram as empresas (talvez apenas algumas, não a generalidade, não sei), esse poço de sapiência e de empreendedorismo, que gentilmente cediam esses dias aos funcionários. Achei fofinho, juro.
Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Domingo, 22 de Janeiro de 2012
Sábado, 21 de Janeiro de 2012
E o Valter, sempre o Valter
venho para te cortar os
dedos em moedas pequenas e
com elas pagar ao coração o
mal que me fizeste
(...)
Valter Hugo Mãe
Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
Entre amigos, não foi raro comentarmos que A Metamorfose era um excelente instrumento para "sacar miúdas". Imaginámos um qualquer rapaz, bastante discreto, ligeiramente intelectual, sentado num café com Kafka na mão. Momento revelador. Miúdas a caírem que nem tordos. As nossas piadolas não revelavam senão ignorância. A Metamorfose é tão genialmente sufocante que não permite sequer este tipo de considerações.
Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
Caxinas Hardcore - a sequela
Se pertencem ao grupo de privilegiados com bilhetes para as Quintas de Leitura, no dia 26, com Valter Hugo Mãe, João Rios, Ana Zanatti e Isaque Ferreira, só tenho uma palavra para vocês (a mesma que o meu amigo NM usa quando estou a fazer algo muito cool e ele a trabalhar): ODEIO-VOS!
Domingo, 15 de Janeiro de 2012
Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
A poesia assusta a autoridade
O último número do Jornal de Letras, para além de fazer capa com Guimarães Capital Europeia da Cultura (havemos de lá chegar!), traz-nos uma entrevista com João Luís Barreto Guimarães. Podia ser uma conversa sensaborona ou muito altiva sobre poesia, mas termina do modo mais prosaico e delicioso do mundo. João Luís Barreto Guimarães explica a importância que uma passagem por Nova Iorque e as leituras da altura tiveram na sua escrita. Recorda ainda os problemas alfandegários típicos de quem não resiste aos livros:
"Tentei passar pela parte do "nada a declarar", mas o guarda fronteiriço estranhou as duas malas e mandou-me abri-las. Abri a primeira, que tinha roupa, desorganizada, suja, ele achou que não fugia às regras e mandou-me abrir a outra à espera de encontrar a cocaína... Abri e ele perguntou: "O que é isto?" Eu virei-me para ele e como se fosse o milagre das rosas, respondi: "São livros." E ele insistiu: "Livros de quê?" E eu: "De poesia". Então, o guarda deu um passo para trás e disse: "Feche lá isso, feche lá isso". Realmente, a poesia assusta a autoridade."
Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
Metabloguismos
Este blogue é o contraponto de uma vida real sisuda e séria em demasia. Uma vida em que me sinto a melhor das actrizes, representação constante para parecer o que não sou. Mas este blogue também não sou eu. Eu sou, em parte, os poemas, os textos e as peças de teatro de que falo também no blogue, sou aquilo de que gosto e sou a gente com quem me dou, sou os sítios onde vou e que me fazem feliz. Não sou as pessoas com quem sou obrigada a cruzar-me diariamente, sou os cursos e os workshops que quero fazer, sou a vontade que tenho de fazer tudo tão diferente do que fiz até agora. Sou até os blogues que visito, muito mais do que sou o meu próprio blogue. O meu blogue, na verdade, muitas vezes, envergonha-me. Já houve alturas em que pedi que a terra me engolisse por causa do blogue. Mas também já não saberia viver sem este blogue-bengala. Portanto, por vezes, penso que, porventura, eu também sou um pouquinho este blogue. E envergonho-me de novo.
Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
Domingo, 8 de Janeiro de 2012
Sines, 13 Fev. 92
Joaquim,
Tenho recebido as tuas cartas todas, as que enviaste para Sines, e as de Lisboa. Só que os dias têm decorrido demasiado cinzentos para arranjar forças e responder-te. Aproveito um serão para o fazer. Não porque as coisas se iluminaram mais do que ontem. Não. tudo continua, neste momento, na minha vida, como nos últimos tempos. Um terror! _ uma merda! _ e não me apetece nada. Absolutamente nada. Dá-me a impressão que tenho andado entretido a falhar coisas, não sei. Nada funciona comigo e parece que a alma e o corpo estão em suspenso, entorpecidos até à medula. Que fazer? Não sei!
(...)
tirando toda essa ansiedade, toda esta angústia _ as coisas vão avançando tão lamentavelmente que até parece terem-me rezado uma praga. E se calhar foi o que fizeram. As pessoas são ruins. Cada vez tenho menos amigos, contam-se pelos dedos de uma mão e, bem vistas as coisas, ainda sobram dedos. Enfim, sinto-me mais ou menos à deriva, sem saber muito bem como continuar, como me acalmar.
Não te esqueci. O meu silêncio é doutra ordem mas não o do esquecimento. Vai escrevendo. É bom receber as tuas cartas, lê-las, e saber que alguém nos escreve coisas assim.
Recebe um grade abraço
deste teu
Al Berto.
De Al Berto para Joaquim Cardoso Dias, num livro carregadinho de emoções: Dez Cartas para Al Berto, Dez Cartas de Al Berto. E é por isto que Al Berto não deixa de ser o "meu" poeta.
Sábado, 7 de Janeiro de 2012
A inveja é, pois, uma coisa muito feia.
Nesta história do Grupo Jerónimo Martins e da Holanda, seria, de facto, de espantar se não aparecessem os moralistas e pseudo-patriotas do costume. Como se eles próprios, tendo essa possibilidade, negassem uma sede na Holanda para as suas PMEs e as suas inegáveis vantagens fiscais. Como se eles próprios não fossem capazes de colocar as suas poupanças, à primeira oportunidade, em Holandas, Alemanhas, Suíças e Ilhas Caimão. Assim tivessem eles a envergadura de um Grupo Jerónimo Martins e soubessem como se faz.
E, pelos vistos, também temos bilhetes!
"Um dia não muito longe não muito perto" estarão no TeCA (e não no Mosteiro de São Bento da Vitória, como eu cá tinha indicado). "Quem te porá como fruto nas árvores" surge a partir da obra poética de Ruy Belo e coloca em cima do palco gente que vale mesmo muito a pena ver.
Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
Ao ouvir estes primeiros acordes, de passas na mão, a segundos de 2012, foi como se me tivessem dado um murro no estômago. Se a transição entre 2011 e 2012 tivesse sido feita ao som deles, mais me valia meter o rabo entre as pernas, fugir para casa e só voltar a sair em 2013. Talvez terminar 2011com eles me tenha valido isso, o fecho de um ciclo.
Domingo, 1 de Janeiro de 2012
Pela Luna
Lembro-me de, há algum tempo _ não sei se muito, não sei se pouco _ ter lido um texto escrito pela Kitty Fane em que dizia que não suportava as ocasiões em que era suposto/imposto sermos felizes. O Natal e a Passagem de Ano são, indubitavelmente, desses momentos. A Luna também não podia estar mais certa.
Sábado, 31 de Dezembro de 2011
O meu 2011 havia de terminar assim, com poesia.
(...)
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos defeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e
sabem o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa
sou outra coisa
(...)
Ruy Belo
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos defeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e
sabem o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa
sou outra coisa
(...)
Ruy Belo
Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
"She'd dream of Para-para-Paradise!!!!"
25/12/2011
Eu bem sonhei com coqueiros, palmeiras e caipirinhas (e calor, pelas almas, calor!), mas foi o melhor que se pôde arranjar.
Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011
Natal nunca teve a ver com iPhones, nem computadores, nem séries de TV, nem LCDs, muito menos com consolas de jogos. Natal é acordar com os primos, os pais, os amigos e os tios a gritar, na sala, por um país, uma cidade, um objecto e uma flor começados por "S". Natal é jogar ao STOP, dar gargalhadas e discutir porque Segóvia não é nome de flor. E aí não há merda de iPhone, nem de LCD, nem de série de TV que sorria e discuta connosco.
Sábado, 24 de Dezembro de 2011
"I'm sexy and I know it"
Não sou nada dada a azáfamas natalícias, a presentinhos, a árvores e a gorros de Pai Natal , mas eu só quero o bem e a felicidade da Humanidade. E se para andarmos todos alegres e contentes há que trocar presentes, farei o meu pedido para o sapatinho: Matthew Gray Gubler versão Doctor Spencer Reid. Assim, versão nerd, muita pinta, sem tirar nem pôr. Ainda resolvia um problema ao mocinho (que está magro para o meu gosto, praticamente mal nutrido), oferecia-lhe sonhos e aletria e bolo rei e rabanadas. Claramente uma win-win solution.
Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011
"Emigre o senhor!"
Para muitos dos meus amigos, o Primeiro Ministro deixou de ser um problema (deles). Assim como Portugal. No mínimo, triste.
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
Chegou o momento "Vou ficar rica com isto!"
Que é como quem diz, chegou o momento publicitário do ano. E a mim, que sou miúda que gosta de dar e de receber livros no Natal _ ainda estou para conhecer presente melhor _ não me custa nada dizer que a Wook está com uma promoção jeitosa de período natalício. Ide, ide.
Domingo, 18 de Dezembro de 2011
A penny for your thoughts
A penny por cada murro no estômago, por cada desilusão, por cada afronta, por cada humilhação, por cada desencantamento de 2011. Por todas essas coisas que são o humano. Não bastaria para fazer fortuna, mas, para mim, seria dinheiro que chegasse.
Sábado, 17 de Dezembro de 2011
Tendo em atenção que irei assistir a Coldplay rodeada de seres do sexo masculino, achei por bem avisá-los com antecedência: vou sentir um nó no estômago em determinadas músicas; provavelmente, não chegarei a soltar uma lágrima, mas os olhinhos irão ficar vermelhuscos e vidrados. Nessa altura, olhem para o lado e assobiem. Se virem o caso mal parado, facultem-me um lencinho de papel. Não façam perguntas!
Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011
E Matosinhos sempre a dar cartas...
Porque nem só pela demolição de torres sociais passa a reabilitação de uma cidade.
Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
As Psicologias da Educação, Metodologias de Ensino e Organizações Curriculares não nos preparam para vermos os nossos alunos crescer. Aos meninos que gritam ó teacher em voz semi-arrastada, semi-dengosa não devia ser permitido crescer. Ficavam assim cristalizados, tal como a imagem que nós encerramos deles. Aos meninos que gritam ó teacher em voz semi-arrastada, semi-dengosa devia ser vedado o acesso ao facebook e a carta de condução e as noites de copos com os amigos. Os meninos que gritam ó teacher não deviam nunca ter mais de um metro e oitenta, 18 anos e conversa de gente crescida. Porque a nós, ninguém nos prepara para saber lidar com isso.
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